• Judiciário Exponencial

“Precisamos nos valer de uma nova cultura através da coleta de dados”

Procurador-Geral do MPRS e presidente do CNPG, Fabiano Dallazen, em palestra durante o Enastic MP (21/08/2020), apontou que a pandemia funcionou como uma “pisada no acelerador” da inovação



“A demanda da sociedade hoje é interconectada, digital, rápida e precisamos nos valer de uma nova cultura através da coleta de dados. Esse processo às vezes é lento porque o próprio desenho do Sistema de Justiça é muito solene”, disse o procurador geral de Justiça do Ministério Público do Estado do Rio Grande do Sul (MPRS) e presidente do Conselho Nacional de Procuradores-Gerais (CNPG), Fabiano Dallazen (Enastic MP, 21/08).


Dallazen argumentou que o momento atual, de pandemia, acabou sendo uma “pisada no acelerador”. “Alguns MPs já estavam na vanguarda, a inovação já estava acontecendo, mas a cultura que nós precisávamos superar com a pandemia trouxe uma lição: a de que podemos fazer quase tudo que fazíamos presencialmente virtualmente, com mais eficiência. Vencemos uma resistência cultural porque ou você aderia a uma nova forma ou não trabalhava durante a pandemia.”


Ele explicou que o MPRS já havia realizado 157 eventos durante a pandemia em plataformas digitais. “Foram 3.300 certificações de membros e servidores pelo nosso centro de apoio funcional do MP. Quanto se economizou de tempo e deslocamento?”, indagou.


O procurador também lembrou que as sessões do Conselho Superior do MP, que eram 100% presenciais, estão realizadas virtualmente, assim como o Colégio de Procuradores que realiza sessões de forma virtual e está se inserindo na inovação. “E o pós-pandemia não vai permitir um retrocesso. Essa realidade já caminhava, mas tínhamos resistências culturais para a adesão.”


Ele ressaltou a importância do compartilhamento, troca e divisão de soluções entre os MPs. “No Rio Grande do Sul estamos adquirindo nosso Data Lake. Além da infraestrutura necessária, estamos avançando em nosso laboratório de dados. Temos um sistema de processo eletrônico que compartilhamos com outros MPs”, contou.


“Antes crescíamos com o aumento do orçamento, aumentando pessoal e estrutura física. Se continuarmos dessa forma, não há gente que chegue, nem orçamento. Deve haver novas formas de responder à demanda. O MP tem que atuar no coletivo e se valer das novas tecnologias e das ferramentas de investigação e fiscalização, de tomadas de decisão. A instituição precisa ter, na palma da mão, informações acessíveis, mas compiladas e tratadas para a atividade fim. Isso permite que possamos reorganizar trabalho e economizar pessoal. Nós perdemos o medo e a maioria está vendo vantagens na inovação”.


Adaptação na pandemia


Em resposta à pergunta de Ademir Piccoli, curador do evento e ativista de inovação, sobre a tecnologia ter se aproximado das pessoas na pandemia, Dallazen afirmou que o momento foi a porta de entrada para os mais resistentes se adaptarem.


“Nossa unidade de apoio ao usuário fez mais de 11.500 atendimentos a membros e servidores. Boa parte era para ensinar a usar ferramenta. E a partir do momento em que usa, a pessoa passa a gostar. É a porta de entrada que derruba barreira e resistência.” Em projeto piloto, Dallazen afirmou que o aumento médio de produtividade em alguns meses superou 90%. “Às vezes, onde havia três pessoas fazendo, agora duas pessoas fazem e no remoto. São culturas das quais ainda não conhecemos bem a dimensão do quanto vão impactar na gestão, mas sabemos que é caminho a ser trilhado.”


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