• Judiciário Exponencial

Não há mais como olhar para o STJ sem investimento em tecnologias e em IA, diz Noronha



“A tecnologia que nos proporciona desenvolver programas de Inteligência Artificial (IA) tem um propósito claro. Não é só um instrumento de gestão, mas de planejamento”, disse o presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), João Otávio de Noronha, em sua palestra de abertura do segundo dia do Enastic AGU (02/07).


Noronha explicou que, com planejamento e aplicação de softwares de IA, foi possível estruturar o STJ em três secretarias. “Conseguimos sair de 400 funcionários para 140 sem reduzir a qualidade do trabalho desenvolvido. Pelo contrário, aperfeiçoamos a celeridade e qualidade.”


O ministro também explicou que o trabalho de IA não foi apenas relacionado a um software de seleção e triagem, mas é um instrumento de planejamento que deu velocidade aos processos judiciais. “A tecnologia da informação permitiu uma revolução em termos de processo. Nós tínhamos muitos sendo feitos de forma desnecessária como, por exemplo, mais de 50 funcionários trabalhando para publicar aportes, algo que os próprios gabinetes poderiam fazer”, contou.


Ele destacou que o Poder Judiciário ainda custa caro no Brasil, como é caro no mundo, mas é caro especialmente no Brasil pela sua dimensão continental. “Com o congelamento de orçamento não há espaço para ficar criando cargos públicos”.


Redefinição de processos com a IA

De acordo com Noronha, em dois anos, mesmo com as aposentadorias de 250 a 300 funcionários, a instituição conseguiu não contratar ninguém. “Conseguimos redefinir processos com o uso da IA. Alguns trabalhos eram feitos porque se fazia há 30 anos. Pudemos rever procedimentos e processos de trabalho e dar celeridade”, afirmou.


Noronha explicou que não consegue mais ver o STJ sem investimento em TI, priorização do software e equipe para IA. “Nós não temos saída. Se precisamos melhorar qualitativamente os processos de trabalho, isso impõe investimento não só na inteligência humana, mas na Inteligência Artificial. Vamos ganhar eficiência, reduzir mão de obra em alguns lugares e aumentar em outros”, avaliou.


O presidente do STJ explicou que, com o uso da tecnologia, foi possível reduzir o número de processos, o estoque de processos nos gabinetes de alguns ministros e até realizar um mutirão com o uso de softwares que identificavam casos similares.


Noronha também contou, ao visitar cortes na Europa e dizer que no Brasil eram julgados mais de 10 mil processos por ano, houve indignação. “Na França, na Itália, disseram que julgam cerca de 70 por ano. O gabinete precisa de estrutura menor, o ministro tem que dar mais sua contribuição, construir o voto. Assim deveria ser a nossa justiça para que o Direito ganhe qualidade, para que a decisão expresse realmente a vontade do colegiado. Hoje temos um volume tão grande que algumas [decisões] são escolhidas e outras vão no repetitivo”, disse.




26 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo